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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Despedida

Amigos, comunico que a partir deste momento não irei mais postar nesse blog.
Eu, junto com minhas amigas Marciele e Polly vamos nos unir em um novo blog. O endereço é este em baixo, conto com a visita de vocês. Beijos Sarinha


http://complikda-eperfeitinha.blogspot.com/

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Carinhosamente: Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Felicidade Clandestina

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Clarice Lispector.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Aviso da lua que sorrir


Ei moço! Você já olhou para a lua hoje? Quem nunca ao contemplá-la se apaixonou? A lua está no céu a todo o momento, se destaca mais ao entardecer e é a partir daí que ela abre o seu sorriso para alegrar as noites, estas que amo. Pois sinto o vento passando em meu rosto como se fosse Deus fazendo carinho.
Ei, você que chora!
É tempo de sorrir, olha para o céu e vê que alguém que te ama quer te fazer feliz não permita que o caos do dia-a-dia te faça uma pessoa infeliz. Não deixe que a rotina capitalista faça-o olhar apenas para o seu umbigo, preocupado com o amanhã...
Sugue toda essência da vida hoje!
Não deixe que a altura dos prédios, autdoors, os atrapalhe a observar a lua. À noite lhe oferece o maior espetáculo, você é quem decide.
Ei moço, moça... Carpe diem.
Tem alguém me ouvindo? Eiiiii? Você está olhando para a lua? Seu idiota.
Pobres, podres pobres insistem em olhar para o nada e fazem da sua vida um nada.
Carpe, carpe, carpe diem.

por Sarah Camilo

Vamos à igreja?


Todo domingo observo de dentro da pizzaria aonde trabalho pessoas indo e vindo da igreja, seja católica ou evangélica, não importa.
E então, parei para pensar o que levava essas pessoas a saírem de suas casas e irem até a igreja.
Algumas delas pareciam já ter caído na rotina de todo domingo ter de ir à igreja, outras por missão na evangelização, outras nada me passam.
Rostos diferentes, pessoas diferentes, religiões diferentes, mas todas com o mesmo objetivo: DEUS!

por Sarah Camilo

Amor? O que é?

Teve um dia que estava passando pela rua, quando me deparei com Joaquim lindo e singelo como sempre. Por muito tempo observava-o de longe, ele morava perto da minha casa. E sabe aquele amor de criança, inocente, carinhoso, na esperança de que quando crescermos iríamos nos casar?
Bom! Era esse o amor que sentia por Joaquim. Só que ele morreu. Não Joaquim, mas o amor. Esse tal amor que a gente sente desde criança nos tornam adultos feridos, muito feridos, e, quando encontramos alguém que realmente merece ser amada... Não amamos.
Penso que a gente só tinha de amar depois de grande, pois aí, levaremos os relacionamentos mais a sério.
Meninos desde criança se “gabam” por ter mais de uma namoradinha na escola.
Meninas suspiram pelos cantos por um único amor, aquele lá da 5ª série!
Meninos contam com quantas já “ficaram”.
Meninas se apaixonam.
Diante disso, não há nada pior que o amor quando apenas “tá afim”.

por Sarah Camilo

"Pega Ladrão"

O Brasil está cada vez mais brasileiro.

A corrupção brasileira sempre foi uma vergonha para nós brasileiros, porém a pergunta que não quer calar feita, inclusive, pelo correspondente do jornal espanhol El País, Juan Arias. Por que o brasileiro não se indigna e não vai à praça para protestar a corrupção?
Bom. Primeiro que o brasileiro já se acomodou em uma vidinha medíocre. O arroz e o feijão já são o bastante para a sua alimentação.
Segundo: Os políticos corruptos almoçam lagosta, a das melhores, caviar à vontade.
No governo Dilma estamos acompanhando uma sequência de escândalos, de ex-ministro dos transportes, agora Alfredo Nascimento reassumirá sua cadeira no Senado Federal e a presidência nacional do Partido da República (PR). O Palocci, “tadinho” não aguentou a pressão e pediu demissão na casa civil.
A presidente teve reação imediata, Dilma, que, no sábado seguinte à reportagem de VEJA,  afastou o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, o chefe de gabinete do Ministério, Mauro Barbosa Silva, e o assessor Luís Tito Bonvini. Esses são os famosos colarinhos brancos.
Depois de roubar milhões do nosso Brasil esses Ladrões estão em suas mansões, palácios, são apenas afastados ou ocupa outro cargo como foi o caso do ex-ministro dos transportes.
 Enquanto isso nos bastidores, um cidadão brasileiro desempregado é preso ao roubar uma caixinha de leite, que custa R$2,55 para alimentar sua filha que estava com fome.
O que a justiça acha disso? O que o brasileiro acha disso? Será que os milhões de brasileiros se questionam sobre isso?
Tal comparação é motivo de revolta para muitos, porém esses “muitos” não vão à praça para manifestar contra a corrupção. Talvez, o motivo que não os deixa sair de suas casas é a falta de conhecimento e de atitude com relação à política brasileira.

por Sarah Camilo