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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Olhar


por Sarah Camilo

Quando sorri, seus olhos brilham. E foi esse olhar que me encantou e sempre que posso olho para ele, mesmo que por meio de fotografia. No primeiro instante que a vi, pensei: Por que não a conheci antes?

De costas, olhei de cima para baixo e de baixo para cima para a beleza daquela mulher que estava de pé numa sala.

Sua personalidade forte me marcou, me atraiu – agora me vejo perdida, sem saber o que fazer.

Uma única mulher é capaz de arrasar o coração de outra pessoa, quando bem exercida a sua beleza e sensibilidade.





Cachoeiro de Itapemirim - ES, 23/12/12

domingo, 23 de setembro de 2012

Noite carioca

Aos 17 anos me sentia vazia e sem nada para fazer.

 Um dia observei de longe uma pessoa nas noites de Copacabana, caminhando no calçadão.

 E eu, estava na areia contemplando o mar, respirando o ar carioca. Essa pessoa foi se aproximando e quando chegou perto de mim a convidei para sentar comigo e aproveitar a noite. Ao sentar do meu lado, olhei bem em seus olhos e sorri. Quase pude tocar na maresia que se estabeleceu entre mim e ela.

 Por enquanto, prefiro tê-la por codinome beija-flor.

 Trocamos algumas poucas palavras, o olhar falava muito mais, muitas coisas e muitas palavras. Depois de um tempo, toquei-a, observando cada detalhe de seu corpo. Ela olhava pra mim de um jeito constrangedor e delicado.

 Nunca nos vimos antes, mas nos sentimos naquele momento. Ainda ouço as ondas do mar se quebrando num vai e vem até chegar a nossos pés.

 Foi muito bom viver aquele momento, jamais esquecerei. Anseio por outros melhores. A vida é curta e nenhuma tecnologia acompanha a sua velocidade.

 Quando isso aconteceu, estava com uns 20 anos, lembro-me perfeitamente do seu rosto, mulher sensível e linda. Os seus cabelos macios dançavam na ventania noturna carioca.

 Sabe? Depois que parei para perceber melhor o seu rosto... Aquele olhar não me era estranho. Olhos castanhos claros. Suas mãos delicadas, sensibilidade singular.

 Chorei! Chorei de alegria por saber que ela ainda estava ali comigo.

 A praia de Copacabana foi testemunha de uma cena de amor real e intensa já vivida por mim.


 Luiza Brandão (heterônimo de Sarah Camilo)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

VINICIUS DE MORAES / Sua Trajetória – Parte I

por Pedro Luso de Carvalho VINÍCIUS DE MORAES, cujo nome completo era Marcus Vinícius Cruz de Morais, nasceu na Gávea, Rio de Janeiro, a 19 de outubro de 1913. Era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes e de D. Lídia Cruz de Moraes. Teve uma infância muito livre e despreocupada, numa chácara do avô, na Gávea, até os cinco anos; depois, na ilha do Governador; aí viveu com sua família até os quatorze anos de idade, de onde saiu para matricular-se na Escola Afrânio Peixoto, na Rua da Matriz, onde concluiu o primário; depois, estudou no Colégio Santo Inácio. Foi na ilha do Governador que o poeta ensaiou os seus primeiros versos, por volta dos sete anos, rabiscando quadrinhas e trovas, que os dava para suas namoradinhas. Daí a grande importância que a ilha teve em sua vida. A professora da escola pública, Dona Zuleica Autran, lia essas produções a seu pedido; mais tarde, no ginásio, seus colegas faziam esse papel da professora Zuleica. Pode-se dizer que era hereditária essa inclinação para a poesia; descendia de uma família de escritores: seu pai, funcionário público municipal, era poeta, e foi aconselhado por Bilac, de quem era amigo, a publicar seus versos; seu tio-avô, Moraes Filho, era poeta, folclorista e membro do grupo Garnier, tendo sido amigo de Machado de Assis. Na infância, Vinicius era um leitor voraz de literatura infantil e juvenil; lia de Julio Verne a Zevaco. Dois livros destacavam-se para ele: Coração, de Edmondo de Amicis, e Através do Brasil, de Bilac e Coelho Neto. Dessa fase de leitura, passou para a 'literatura de moças': Delly, Ohnet e Ardel. Na escola, tinha preferência pela leitura de antologias, o que lhe rendeu o conhecimento dos grandes poetas brasileiros e portugueses, alguns modernos, inclusive: Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Júlio Dantas. No Colégio Santo Inácio, depois de ter repetido um ano, em razão da aversão que tinha pela matemática, Vinicius concluiu o curso ginasial. Participava como ator em peças teatrais, escreveu uma farsa, que foi representadas por colegas, cantava no coro do colégio, tendo sido escolhido para cantar como solista de uma “Ave Maria”, durante uma missa do Galo, na igrejinha da rua Marquês de São Vicente. Nessa fase de sua vida, era um católico fervoroso; após o terceiro ano ginasial, passou a negligenciar seus deveres religiosos – a monotonia, a reincidência dos pecados, que não desejava evitá-los, justificaria esse afastamento da Igreja. Com o incentivo da família e dos colegas, continuava escrevendo versos. Certo dia, resolveu procurar o poeta João Lira Filho, a quem muito admirava, para mostrar os seus trabalhos, já que se tratava de um amigo da família. Essa iniciativa, contudo, resultou numa das suas maiores decepções: o poeta Lira Filho aconselhou-o a abandonar definitivamente a literatura. Em 1929, Vinicius deixou o colégio, quando se formou, levando consigo os conhecimentos adquiridos e os muitos amigos que aí fez. O sentimento para a música deveu-se ao ambiente da ilha do Governador, com a exuberante paisagem e a presença do mar, e do jovem pescador – Augusto –, que lhe ensinou a apreciar as velhas valsas, que tocava na clarineta. Vinicius também ouvia em casa músicas tocadas por sua mãe, que era pianista, além de sofrer influencia da avó, que tinha grande sensibilidade musical. Foi no período em que já estava no fim do ginásio que passou por essas experiências, ligando-se aos compositores Paulo e Haroldo Tapajós. Com eles, formou um grupinho para tocarem nas festas de amigos. Daí para participar em composições musicais, como letrista, foi um pulo. Alcançou dois grandes sucessos: ‘Loura e Morena’ e ‘Canção da Noite’, que se tornaram conhecidas no Brasil em pouco tempo. Vinicius de Moraes acreditava que a sua verdadeira vocação era a medicina, mas, por influência de seus colegas de ginásio, ingressou, em 1930, da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, na qual foi colega de Jorge Amado. Aí conheceu outros colegas que também se tornariam importantes: Otávio de Faria, Hélio Viana, Américo Lacombe e San Tiago Dantas. Sua fase de iniciação literária deveu-se a esses colegas, em especial a Otávio. Vinicius familiarizou-se então com os romancistas russos; depois conheceu escritores como: Julian Green, Mauriac, Bernanos, Ibsen, Nietzsche, Kierkegaard, Pascal. Vamos encerrar esta primeira parte deste trabalho com um famoso poema de Vinicius de Moraes, intitulado Soneto da Separação (In Antologia Poética, Editora A Noite. Rio de Janeiro, 1953, p. 166): SONETO DE SEPARAÇÃO (Vinicius de Morais) De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. * REFERÊNCIA: PEREZ, Renard. Escritores brasileiros contemporâneos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1960.

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Como me sinto? Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim , a mim que sou cego : isso é aquilo que vê , essa é a matéria que vê . Toco os dois olhos sobre a mesa , lisos , tépidos ainda , arrancaram há pouco, gelatinosos , mas não vejo o ver . É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito , e desbocado e cruel , manchado de tintas , essas pardas escuras do não saber dizer , tento amputado conhecer o passo , cego conhecer a luz , ausente de braços tento te abraçar". Hilda Hilst

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Me encantei!!

Patrícia Galvão é o nome dela. Fui apresentada por uma colega de trabalho: Sarah, esta é Pagu. Jornalista e professora.

Os meus olhos simplesmente brilharam!!

Então, para quem ainda não conhece, segue o link do blog que fala sobre esse terremoto que passou por nós e que deixou os rastros.

Boa leitura!

http://www.pagu.com.br/blog/

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pés cansados!


Os meus pés já estavam exaustos em estar em cima de uma sandália alta e andar...

Antes de sair de casa vi no Bom dia Espírito Santo a noticia que a Praça Jerônimo Monteiro estaria interditada devido aos protestos realizados pela população. Um era por causa do preço da passagem de ônibus, o outro era para “desmascarar o santo”, ex-governador do estado, Paulo Hartung. Bem, fiquei sentada por 2 horas e pouco no ônibus de Vila Velha até Vitória. Em todo percurso o trânsito estava parado. Tenso.

Chegando à praça ela se encontrava deserta de veículos, apenas pessoas revoltadas com a hipocrisia de um governo corrupto. Fui a um edifício, depois de um tempo saí. As ruas continuavam um verdadeiro caos. Protestos de um lado a outro, sem saída. Os ônibus vazios e parados, e quem estava dentro era obrigado a sair. E os cidadãos honestos foram interrompidos de cumprir os seus compromissos no devido tempo.

Ao ir para a beira-mar em busca de algum ônibus me deparei com os pontos cheios, ou seja, completamente impossível de “pegar um ônibus”. Então, para descansar um pouco os meus pés, resolvi sentar na calçada da beira-mar. Depois de um tempo parou uma Combi branca e velha na minha frente. Ao meu lado esquerdo vinham alguns estudantes correndo para “pegar uma carona”, eu, simplesmente “entrei na onda” e fui junto com a galera até próximo ao INSS.

Os meus pés já estavam exaustos em estar em cima de uma sandália alta e andar...

Já estava cansada, completamente cansada. Caminhei até o shopping vitória em busca de algum ônibus, minha irmã que estava junto comigo se irritava por causa da minha lentidão ao andar. Alguns instantes andei, descalça, tamanha era a dor nos pés.

Uffa! Entrei no Seletivo, ar condicionado. Era o que precisava no momento. Mas em todo o caminho me questionava sobre os protestos. Será que vale a pena?

Não sou contra protestos. Sou contra a ignorância. E os estudantes que realizaram esse tal protesto que atrapalhou trabalhadores honestos, é um exemplo de ignorância. Há tanta coisa mais útil para se protestar. Além disso, 2,45 é a passagem inteira, estudante paga meia. A única coisa que tenho a dizer para essa turma de estudantes chinfrins é: Estudem e busquem o conhecimento, assim vocês serão inteligentes.

Quanto à política: sigam firme, irmãos. Estou com vocês!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Alguém, por obséquio?


Estava sentada num dos bancos do ônibus, bem à frente, perto da roleta que passa milhares de cidadãos. Ao meu lado estava minha irmã degustando as sensações da batata acompanhada com coca-cola. Conversávamos e ríamos.

Antes de o ônibus partir, entrou um homem. Suas roupas eram velhas e sujas.

- Fez um pedido: “Peço que me ajudem quem puder e com quanto puder. Deus abençoe!”.

Esse homem é apenas mais um diante de centenas de brasileiros que honestamente, por parte de alguns, utilizam o transporte público para pedir ajuda de outros brasileiros que diariamente o usam para ir trabalhar, estudar, etc.

Para alguns, esses “pedintes”, ou mendigos são motivo de incômodo, tem gente que simplesmente vira o rosto ou fecha os olhos para não encarar a realidade daquele que pede ajuda.  Eles andam pelo corredor nos pedindo poucos trocados.

Infelizmente ninguém tem um detector de honestidade, mas podemos agir conforme a nossa sensibilidade de ser humano e por alguns instantes nos colocarem no lugar daqueles que pedem.

- “Que país é esse?”, já se perguntava Legião Urbana. Hoje, pois, que a legião que governa o nosso país voltem seus planejamentos para a legião de pobres que entram todos os dias nos ônibus para pedir um real e também para aqueles que vivem numa pobreza extrema à margem as sociedade.